segunda-feira, 27 de setembro de 2010

13 de junho de 2006

IMPRESSIONANTE

A cidade que era cinza, em uma manhã de junho acorda verde e amarelo, como se de repente as tintas tivessem caído harmonicamente pelas ruas da cidade, estas cores aparecem por todos os lados e juntos delas um sorriso irradiante.
O ônibus lotado que estamos pegando não tira atenção dos passageiros (não hoje), pois hoje é um dia especial.
Chego a universidade e há apenas um assunto pelos corredores e as cores voltam a aparecer amarelo, verde, azul de diversas tonalidades...É o Brasil!
Prendo-me por algumas horas na sala de aula e quando saio o ritmo já é outro, todos correm desesperadamente, é momento de achar um bom lugar, pois este momento é inesquecível...
O ritmo acelera, vou perguntar a uma recepcionista da faculdade - O professor fulano de tal virá hoje à universidade? E ela me responde rapidamente é claro que não! Saio daquele ambiente e caminho até o trabalho...Trabalho? Não, hoje não! O expediente só vai até as 4hrs, depois todos se juntaram em um mesmo espaço e se depararam com uma televisão, agora está na moda ter plasma...Mas isto ainda é fetiche, marketing de empresas, consumo. Nós assistiremos no telão!
Encaminho-me até lá e pelo trajeto percebo que todos estão na mesma sintonia, as madames, os empresários, os operários, as domésticas, as donas de casa, os trabalhadores de modo geral e até mesmo os moradores de rua. Uma única classe...Não, não. Isso é piração.
Talvez Geertez consiga colaborar nesta análise, com sua antropologia interpretativa - a hermenêutica.
Interpretar este fato como um ato simbólico, de análise de estrutura social, como se a vitória do Brasil simbolizasse a vitória de cada uma das pessoas, uma troca de papéis, ali os norte americanos não poderiam comandar, o império não venceria, e então neste momento o orgulho nacional se põe a tona.Vencemos!
Peço que tomem cuidado com o ufanismo, ele pode tornar-se perigoso, se usado em grandes proporções.
Continuo minha andança e me deparo com funcionários de um mercado colocando suas camisas amarelas, que acabaram de ganhar de Presente de seu patrão (junto com a exploração da mais valia é claro) passa por mim um cachorro de madame, vestida com a camisa 9( A madame? não! O cachorro!).
O que me pergunto é. Que sentimento é este que traz tanta felicidade? O que faz as pessoas se unirem desta maneira e esquecerem todas as diferenças, pelo menos por 90 longos minutos, divididos em dois tempos. Que fenômeno é este?
De fato minha racionalidade não permitirá chegar a fundo com uma explicação fundamentada, pois este fenômeno transcende, é simbólico.
È transgressão do interdito.O sagrado de transgressão.
Passo pelas lanchonetes e uma única voz eu escuto. A do povo? Nãnaninanão, o povo está de olhos fixos na tv (e há de alguém pensar em falar naquele momento). É a Voz do Galvão Bueno falando sobre os jogos, uma espécie de retrospectiva.A população vibra, mas na verdade estão esperando o momento dele falar “Bem amigos da rede globo, falamos  agora em definitivo...”, daí tudo pára.
Por enquanto fico por aqui...O jogo ainda não começou, a barulhada esta ficando cada vez mais vibrante, as pessoas só pensam em uma coisa, organizam os salgadinhos, a cerveja, arrumam o telão, passam com o bolão ah! Sempre tem um chato que marca contra a seleção.
Esta energia é contagiante.
Esqueço da alienação, da exploração, da tristeza e da dureza diária de crianças e adolescentes se prostituindo nas estradas, esqueço do comércio de mulheres que está forte na Alemanha, da fome mundial, das chacinas nas periferias, dos maus tratos nos cárceres, das mães de família que perdem seus filhos nas mãos dos traficantes e de centenas e centenas de barbaridades que acontecem diariamente pelo mundo.
Mas o lema hoje não é “Um outro mundo possível” hoje nós vamos de “Pra frente Brasil” ou mais marketing político “Sou Brasileiro e não desisto nunca”.
O que importa mesmo agora é que daqui a exatos 60 minutos começará o jogo de nossa digníssima seleção.Vai que é sua Brasilllllllll!
Janaina Santana – 13 de junho de 2006 as 15hrs- 1 hora antes do jogo do Brasil contra a Croácia na Copa do Mundo de Futebol.

** há alguns erros ortograficos eu sei, mas desde que escrevi este texto fiquei com preguiça de fazer a correção...vale a intenção né gente hehehehehehe

Viva Cultura!

E viva a Cultura!!!!!

A arte ta bombando em sampa, por todo lugar tem exposições. A Bienal é massa, pois potencializa a arte em outras partes.

Museu afro, Memorial da Língua Portuguesa e outros tantos...

vale a pena dar umas voltas na cidade e o melhor... tudo grátis.

o caso dos urubus

Caraca, a Bienal ta pegando fogo (tinha uma fogueira de gelo lá no ibirapuera, rs)... até os defensores dos urubus já se manisfestaram... isso sim é arte e política kkkkk até censura de obras já ta rolando....

Dia a dia da Bienal, quem tiver acompanhando tá dando boas risadas e reflexões.. ta avlendo a pena! heheheheheh

Libertem os urubus.. genial kkkkkkkkkkkkkkk
E a Bienal responde, " os urubus estão sendo bem tratados, alimentados e com liberação do Ibama" eita que os urubus tão causando hehehehehhe

Esperemos as polêmicas de amanhã...

Vc viram, fecharam as portas da Bienal mais cedo por conta de uma manifestação em defesa da libertação dos urubus hehehehheh

sábado, 25 de setembro de 2010

Bienal - Arte e Política

29ª Bienal de São Paulo
25 setembro - 12 dezembro 2010
A 29ª Bienal de São Paulo está ancorada na ideia de que é impossível separar a arte da política. Essa impossibilidade se expressa no fato de que a arte, por meios que lhes são próprios, é capaz de interromper as coordenadas sensoriais com que entendemos e habitamos o mundo, inserindo nele temas e atitudes que ali não cabiam e tornando-o, assim, diferente e mais largo.
A eleição desse princípio organizador do projeto curatorial se justifica por duas principais razões. Em primeiro lugar, por viver-se em um mundo de conflitos diversos, onde paradigmas de sociabilidade são o tempo inteiro questionados, e no qual a arte se afirma como meio privilegiado de apreensão e simultânea reinvenção da realidade. Em segundo lugar, por ter sido tão extenso esse movimento de aproximação entre arte e política nas duas últimas décadas, se faz necessário, novamente, destacar a singularidade da primeira em relação à segunda, por vezes confundidas ao ponto da indistinção.
É nesse sentido que o título dado à exposição, “Há sempre um copo de mar para um homem navegar" – verso do poeta Jorge de Lima tomado emprestado de sua obra maior, Invenção de Orfeu (1952) –, sintetiza o que se busca com a próxima edição da Bienal de São Paulo: afirmar que a dimensão utópica da arte está contida nela mesma, e não no que está fora ou além dela. É nesse “copo de mar” – ou nesse infinito próximo que os artistas teimam em produzir – que, de fato, está a potência de seguir adiante, a despeito de tudo o mais; a potência de seguir adiante, como diz o poeta, “mesmo sem naus e sem rumos / mesmo sem vagas e areias”.
Por ser um espaço de reverberação desse compromisso em muitas de suas formas, a mostra vai pôr seus visitantes em contato com maneiras de pensar e habitar o mundo para além dos consensos que o organizam e que o tornam ainda lugar pequeno, onde nem tudo ou todos cabem. Vai pôr seus visitantes em contato com a política da arte.
A 29ª Bienal de São Paulo pretende ser, assim, simultaneamente, uma celebração do fazer artístico e uma afirmação de sua responsabilidade perante a vida; momento de desconcerto dos sentidos e, ao mesmo tempo, de geração de conhecimento que não se encontra em nenhuma outra parte. Pretende, por tudo isso, envolver o público na experiência sensível que a trama das obras expostas promove, e também na capacidade destas de refletir criticamente o mundo em que estão inscritas. Enfim, oferecer exemplos de como a arte tece, entranhada nela mesma, uma política.
Equipe Curatorial
Com curadoria de Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias, a 29ª Bienal de São Paulo conta, ainda, com um grupo de curadores convidados de procedências diversas, os quais contribuem para que o projeto tenha amplitude e densidade compatível com a vocação internacional que a instituição possui desde sua origem, são eles: Fernando Alvim (Angola), Rina Carvajal (Venezuela / Estados Unidos), Yuko Hasegawa (Japão), Sarat Maharaj (África do Sul / Reino Unido) e Chus Martinez (Espanha).
O Lugar e o Tempo da Mostra
A exposição contará com cerca de 160 artistas de diversas partes do mundo, sem tomar a origem territorial como valor de seleção. Nesse sentido, reafirma-se a abolição das chamadas representações nacionais, traço característico da Bienal de São Paulo até poucos anos, mas que não mais traduz a complexa rede de migrações e de trânsitos que marca a vida contemporânea. É importante para a 29ª Bienal de São Paulo, porém, enfatizar o lugar e o tempo a partir dos quais ela é organizada: desde o Brasil e desde um momento de rápida reorganização geopolítica do mundo.
Bienal Estendida
O projeto aqui anunciado não se esgota na apresentação de um conjunto articulado de obras, embora este seja, é evidente, seu núcleo e seu lugar de destaque. Tampouco se comprime apenas nas datas em que a exposição estará aberta. A 29ª Bienal de São Paulo se estenderá a várias outras partes, e começa desde agora. Por meio de seu programa educativo, de atividades discursivas, de residências artísticas e de seu website, ela se afigura como um projeto múltiplo que aposta na arte como forma de conhecer e mudar o mundo de uma maneira única.
Calendário
20 de setembro de 2010
9 às 17h - Pré-abertura para imprensa

21 de setembro de 2010
9 às 17h - Imprensa
19h - Pré-abertura para convidados

22 a 24 de setembro de 2010
19h - Abertura para convidados

22 e 23 de setembro de 2010
Manhã e tarde - Professores (Programa Educativo)

25 de setembro de 2010
10h - Abertura ao público

12 de dezembro
de 2010
Encerramento
Horários de funcionamento
De 2ª a 4ª feira: das 9 às 19h.
5ª e 6ª feira: das 9 às 22h.
Sábado e domingo: das 9 às 19h.
Entrada gratuíta

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Asé!

Asé meu povo!

Vejam mais detalhes e informações sobre o Alaiande xire no site http://pt.wikipedia.org/wiki/Alaiand%C3%AA_Xir%C3%AA

Fotos: Mãe Stela de Oxossi e Gilberto Gil (ainda ministro de cultura) e "Mulheres no terreiro" Ilê Axê Opô Afonjá.

Alaiandê Xire 2010 - em Sampa!



Alaiandê Xirê é o Festival de Alabês, Xicarangomas e Runtós (dependendo da Nação a qual pertencem). Trata-se do encontro anual dos Sacerdotes-Músicos, de ritmos litúrgicos e cânticos dos Terreiros de Candomblé da Bahia, das diferentes nações e de outros estados brasileiros e diásporas africanas.
Foi criado pelo Ogã de Ogum Roberval Marinho e pela Agbeni Xangô Cléo Martins, membros do Ilê Axé Opô Afonjá (BA).
Alaiandê Xirê significa, em língua iorubá, “Festa do Mestre Tocador”. Alaiandê serve também como associação ao Orixá Xangô, que rege o evento. De acordo com a mitologia da religião dos Orixás, Xangô é o mestre tocador, o maior dentre todos os tocadores e dançarinos de Batá, um toque ritual em sua homenagem. Batá ainda é na África e em Cuba, o nome de um tambor consagrado a este Orixá. Segundo alguns mitos, Ayom, o Orixá do tambor era filho de Xangô e Oyá.

O primeiro festival Alaiandê Xirê, aconteceu em 1998, no Opô Afonjá, palco de todos os outros Alaiandês até 2006. A partir daí ocorreu a primeira edição itinerante: no Terreiro Mansu Banduquenqué, o Bate-Folha, em Salvador. A cada ano, o Alaiandê Xirê vem sendo realizado em uma comunidade diferente.

O evento é aberto ao público em geral, e não tem fins lucrativos. Xangô, o Orixá do Fogo, Justiça e Poder em Exercício é o padroeiro desta celebração. O primeiro Alaiandê Xirê homenageou o pintor Carybé, então recentemente falecido em 1997, e Camafeu de Oxossi, figura lendária da Bahia, falecido em 1994. Em 1999, aconteceu a primeira edição internacional do evento, que contou com a presença de sacerdotes cubanos, residentes em Miami e Nova Iorque. Nesta edição, o festival prestou homenagem a Jorge Alabê.

No 7º Alaiandê Xirê, reuniram-se no Terreiro de Candomblé representantes de várias religiões no “Debate sobre Ecumenismo Ecológico”. Representantes do Budismo, do Judaísmo, da Igreja Católica, da Igreja Batista e do Candomblé se uniram em torno de um mesmo objetivo. O XI Alaiandê Xirê aconteceu no tradicional Terreiro Pilão de Prata (Odô Ogê), na Boca do Rio (BA), sob a liderança do Babalorixá Air José de Jesus, da família Bangboshê Obitikô, responsável pelas primeiras comunidades estruturadas de Culto aos Orixás da Bahia. O tema foi: "Xangô dobra os couros para o Centenário da Imigração Japonesa no Brasil".

Em 2010, o Alaiandê Xirê será realizado em São Paulo sob os cuidados de Mãe Wanda de Oxum e Ogã Gilberto de Exu.

Texto do Jornal A gaxetá.